Publicidade da marca Eagle, focada em moda para jovens |
Apesar da sólida cadeia de fornecimento tornar a varejista um investimento atraente para alguns, a ameaçadora pressão sobre as margens e o baixo poder dos preços têm feito com que outros adotem uma atitude de “esperar para ver”.
"A American Eagle é uma boa marca e até os últimos dois anos, ela teve um histórico de rentabilidade muito bom. Tem um balanço sólido, estão sobrecapitalizados e são interessantes", afirma Jay Kaplan, gestor de carteira na firma Royce & Associates, que detém cerca de 5% da varejista desde o final de Dezembro de 2010.
O presidente e gestor de carteira da firma River Road Asset Management, Andrew Beck, aumentou em Dezembro o seu investimento na American Eagle, referindo que o stock está subvalorizado e que o posicionamento da empresa a torna um investimento atraente. "Ao contrário de uma Aeropostale, que se concentra nas t-shirts gráficas, que é o seu nicho, a Eagle tem um apelo mais amplo, mas em pontos de preço mais baratos do que uma Abercrombie & Fitch", acrescenta Beck.
Tanto Beck como Kaplan consideram que as ações da empresa ainda não englobam o impulso que poderá vir das suas marcas Aerie e 77kids, fazendo-os olhar para além dos receios de curto prazo como a pressão das margens e o aumento dos custos.
Numa perspectiva diferente, Betty Chen, analista para o vestuário na Wedbush Securities, prefere olhar para além de uma eventual aquisição e do potencial crescimento da Aerie, para se focalizar no cenário atual. "A Eagle tem tentado atrair os clientes entre os 16 e os 18 anos e esses clientes têm comprado mais na Forever21. Torna-se difícil para a Eagle competir contra isso", refere a analista.
As linhas de jeans, t-shirts e camisolas da American Eagle estão muito dependentes do algodão e, como os seus colegas, a empresa terá de elevar os preços para acomodar o aumento no custo das matérias-primas.
No entanto, a sua base de clientes habituou-se há muito a fazer compras em lojas de “fast fashion” que vendem com grandes descontos, o que torna difícil para a varejista colocar preços dramaticamente elevados na sua roupa, sem correr o risco de perder clientes. "Primeiro tem que descobrir uma maneira de adaptar a moda e aumentar a frequência das entregas, mas ao mesmo tempo ser competitivo em preço", explica Chen.
A analista está pessimista em relação a qualquer aumento no valor das ações, proveniente de mudanças de gestão e rumores de aquisição. "Acreditamos que alguns investidores estão esperançosos de que esta transição possa abrir diálogo com potenciais empresas de capital de risco que poderiam avaliar a American Eagle em 20 a 25 dólares por ação", mas Chen confia que a empresa irá se manter independente.