Quais são as estratégias do Peru para impulsionar seus estilistas nacionais a nível internacional?
Hoje, a maior parte das confecções peruanas é exportada para o continente Americano. Os Estados Unidos importou 56,5% em 2010 — um Tratado de livre comércio foi estabelecido entre os dois países em 2006 — e a Venezuela responde por 14.5 % (veja no gráfico abaixo). De acordo com PromPerú, “os Estados Unidos e a Venezuela são os principais destinos para camisetas e polos para mulher, enquanto que a Alemanha é o segundo mercado importador de camisas para homem” (estatísticas de 2010).
Confecções exportadas do Peru: Principais mercados importadores % - 2010 / Fonte : PromPerú |
O Peru está em pleno processo de consolidação competitiva na indústria têxtil e de moda “prêt-a-porter”. Estes esforços se refletem no lançamento da primeira edição do “Lima Fashion Week”, que ocorreu em paralelo ao salão de moda “PerúModa” (Abril 28-30), e ao salão de casa e decoração “Peru Gift Show”, ambos financiados pelo governo através do PromPerú.
Nesta última edição, o PeruModa registrou um total de 8.390 visitantes, dos quais 1.400 eram estrangeiros, segundo os organizadores. Uma baixa de 7% em relação a edição de 2010.
Sumy Kujón, Elfer Castro e Harumi Momota foram alguns dos doze estilistas que mostraram suas coleções no Lima Fashion Week (LIF Week), utilizando as finas fibras peruanas, como a Alpaca oo algodón pima. De forma geral, pode-se dizer que o evento foi satisfatório, por ser a primeira semana de moda organizada em Lima, mas ainda existem muits desafios, especialmente no quesito criatividade.
Elfer Castro (izquierda), Sumy Kujon (derecha) - Foto: PromPeru |
Foi uma grande surpresa que Meche Correa, uma das mais conhecidas estilistas do país, não tenha participado da LIF Week. Suas criações mesclam com equilíbrio elementos étnicos e modernos. A estilista confirmou ao FashionMag.com que espera poder participar da próxima edição do Lima Fashion Week.
Bolsa em alpaca por Meche Correa |
Por outro lado, novos talentos emergiram por meio do Concurso de Jovens Criadores, dando o prêmio a Edith Isabel Huaman Mantari na categoria Alpaca, e também à Pauline Filipetti na categoria Algodão.
Os tecidos fazem parte dos pilares da cultura Inca. Hoje, os estilistas devem se inspirar em seu próprio legado cultural. Durante a semana de moda, percebeu-se uma tendência muito forte de inspirar-se em estilos ícones como o de Roberto Cavalli ou Chanel. Não faz nenhum sentido limitar a imaginação à imitação de tendências vistas na Europa ou nos Estados Unidos, quando existe uma fonte de inspiração tão ampla, colorida e original no legado ancestral peruano.
Tecido elaborado pelos Incas / Museu Amano, em Lima |
Christian Layolle