Fusões no mercado do luxo

A operação mais emblemática remonta a Março, quando o gigante mundial do luxo, a LVMH (que detém a Louis Vuitton, Givenchy, Kenzo, Céline, etc.), “assaltou” o célebre joalheiro italiano Bulgari, com o objetivo de consolidar o seu portfólio de marcas nesta área de negócio. Depois foi a vez da marca de sapatos preferida das fashionistas, a Jimmy Choo, ser calçada pelo fundo de investimento Labelux.




Nem o vestuário e a marroquinaria escaparam à troca de mãos. A Hermès, salva “in extremis” do apetite devorador da LVMH, vendeu os 45% que detinha na Jean Paul Gaultier ao grupo espanhol Puig, optando assim por concentrar-se no seu próprio desenvolvimento. Já o Paris Group, sedeado em Dubai, tornou-se no novo dono da italiana Gianfranco Ferré e da francesa Louis Féraud.

Em Junho, a sociedade de investimentos Eurazeo anunciou a compra de 45% do grupo têxtil Moncler por 418 milhões de euros. Uma estreia no setor do luxo para a empresa francesa, que afirmou já há muito tempo planejar investir neste setor com elevadas perspectivas de crescimento.

Com efeito, a consultora Bain&Company reviu em alta as suas previsões de crescimento para o corrente ano, que avalia agora em 8% contra os 3% a 5% anteriores. Além do mais, todas as análises publicadas recentemente mostram empresas com fortes razões para festejos, à semelhança do que tinha já sido observado em 2010, graças aos países emergentes.

Tanto para François Arpels, diretor do banco de negócios Bryan Garnier, como para Serge Carreira, docente na Sciences-Po e especialista no setor do luxo, vários fatores estão na origem desta explosão do luxo.

«Trata-se de um setor onde a quota de mercado das marcas dominantes cresceu significativamente nos últimos 10 anos», explica Carreira. «Para as restantes, permanecer na corrida significa prosseguir a abertura de lojas para conquistar novos territórios e novos clientes», prossegue. Para isso, as marcas «necessitam de um financiamento importante», diz o especialista, citando como exemplos a Jean Paul Gaultier e a Moncler.

«As empresas de luxo, que deram provas de prudência durante a crise, mostram-se hoje com liquidez para investir interna e externamente», afirma Arpels. Mas «nem tudo se vende no luxo nem a qualquer preço», acrescenta o diretor do Bryan Garnier, que defende que mais vale ser uma marca proveniente do universo dos acessórios (joalharia, calçado, etc.) que do pronto-a-vestir, menos exportável face às diferenças culturais, morfológicas e climatéricas, ou então ser uma marca de nicho.

A notoriedade também é importante denominador comum entre as marcas que mudaram de dono. Um fator que explica porque é que a Prada, por exemplo, escolheu como tantas outras uma entrada na Bolsa de Hong Kong: «é uma excelente operação de notoriedade ao mesmo tempo que financeira para atrair investidores da região», indica Arpels.

Já Serge Carreira considera que esta «corrida ao ouro deveria ser comedida» mesmo se «assistimos a grandes movimentações em marcas secundárias» com forte potencial de desenvolvimento nomeadamente no plano internacional, como a Moncler, que planeia consolidar a sua presença na Ásia e nos EUA

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