Sem estardalhaço e com um planejamento certeiro a fim de evitar impacto social, a Paquetá não fará mais calçados em Sapiranga, cidade que foi o berço do seu nascimento em junho de 1945.
As linhas de produção se concentrarão nas quatro fábricas do Nordeste - Bahia e Ceará, região que passa a ser responsável por mais de 6 milhões de pares de sapatos por ano. Outros 2,5 milhões de calçados com marcas de terceiros são feitos em Santiago de Los Caballeros, na República Dominicana, além de produção da marca Adidas na Argentina e Teutônia (RS).
Áreas de inteligência e administrativa ficam
A exemplo da Vulcabras/Azaleia que desativou a manufatura em maio deste ano deixando apenas a parte de inteligência em Parobé, a indústria também vai manter em Sapiranga seu centro de desenvolvimento de produtos e setores como compras e suprimentos. Porém não houve atropelos no desligamento de pessoal. Cerca de 400 funcionários já foram absorvidos pela Calçados Ramarim, que alugou um prédio da Paquetá (antigo Calçados Ebane) onde desde o começo do mês está produzindo cerca de 3 mil pares nesta nova fábrica.
“Fechada a decisão de não produzir mais em Sapiranga, tentamos oferecer oportunidades aos nossos empregados, que foram remanejados através desta parceria com a Ramarim”, afirmou Paulina Bacher Paiva, gerente de Comunicação Institucional. Segundo ela, outros 800 empregados seguem trabalhando na Paquetá sapiranguense. Paulina justifica a parada de produção na “busca de competitividade e na sobrevivência da empresa”.
Sem conformação - Apesar de não confirmar, há informações de que toda a parte de exportação da empresa está sendo transferida para a República Dominicana, onde a fábrica opera numa zona franca com incentivo às exportações. Além disso, as exportações para os Estados Unidos são livres de tarifas, graças a um acordo entre os dois países. No Brasil, ficaria apenas a produção para o mercado interno.
Condução tranquila - De acordo com o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga, Júlio Cavalheiros, o processo de desmontagem produtiva da Paquetá na cidade está tranquilo, principalmente pela absorção dos funcionários pela Ramarim, o que minimizou os efeitos. Disse ainda que houve cerca de 200 demissões - da última sexta-feira até ontem foramfeitas 90 rescisões e até o dia 19 serão homologadas as restantes. “Alguns destes não entraram na Ramarim devido aos salários altos e outros porque não quiseram.”