O consumo e os meninos de hoje

Há muitos anos observa-se a mudança nos papéis de homens e mulheres no mundo moderno. Devido aos espaços conquistados pelas mulheres na sociedade, os homens também estão buscando se realocar. Se elas são chefes de família, então, que papel hoje cabe a eles? É preciso se reinventar e buscar o seu lugar ao sol. Assim, os pequenos meninos já nascem e crescem em uma sociedade em transformação. Se o pai, sua referência masculina, não é mais o mesmo de antigamente, os meninos também não o são. Por isso, o que pensam e pelo que se interessam são indagações constantes de quem trabalha com esse público.

Doutora em Antropologia, cofundadora da Aliança pela Infância e autora de vários livros, como 'O universo simbólico da criança', Adriana Friedmann explica que atualmente os meninos nascem em ambientes ou protegidos demais ou soltos demais, dependendo do contexto socioeconômico e cultural. “Se comparados com meninos de antigamente, que eram preparados para serem progenitores, chefes de família ou seguirem as mesmas profissões dos pais, os meninos de hoje já têm mais liberdade de escolha em uma sociedade em permanente transformação”, ressalta.

Acesso ilimitado a informações e estímulos sensoriais por todos os lados tornam os meninos pequenos consumidores muito exigentes. O especialista em marketing de serviços e diretor de marketing da Oxxigênio, Sérgio Santos (Curitiba/PR), também falando como pai de dois meninos, observa – e compara – o comportamento dos meninos em relação a seu próprio período de infância. “E, claro, a diferença é grande. Não no que se refere ao desejo por diversão, mas na quantidade de meios ou mídias que despertam o estímulo de desejo”, aponta.

Santos, comparando com a sua geração, lembra que ele mal foi estimulado visualmente por algumas raras revistas ou sonoramente por rádios e uns poucos canais de televisão. “Hoje, além de inúmeras vitrines em mega shoppings, há inúmeros canais de TV, sem falar na Internet. Isso, somado a pais mais liberais, temos hoje dos meninos um comportamento quase ditador, que manda e prioriza suas próprias demandas, afetando o orçamento familiar de maneira importante”, analisa. Segundo o consultor, eles não pedem, eles mandam.

Na hora de fazer uma compra, Santos diz que os meninos não se deixam influenciar pela opinião do pai. Ao contrário, têm suas próprias preferências. “Eles, quando muito, torcem para o mesmo time do pai, de resto quem manda são eles, os meninos”, fala. E alerta: “Entre um sapato e um brinquedo, eles naturalmente definem pelo brinquedo”.

Por isso, torna-se ainda mais importante a comunicação do ponto de venda com esse target, para de fato chamar a sua atenção. “Para se comunicar com eles, é preciso ter a linguagem deles, com um clima de festa e alegria, com muitas cores, ícones, sons e sabores que estimulem o prazer deles de entrar e ficar na loja”, ensina. Dessa forma, esses pequenos consumidores serão, no futuro, experientes e ainda mais exigentes. “Saberão o que querem e como querem”, sentencia.

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