Daniela Falcão, diretora de redação Vogue Brasil - Foto: Ricardo Matsukawa/Terra |
"A cada seis meses, quando acontece a temporada de moda de Paris, os diretores das revistas de todo o mundo se reúnem para trocar ideias e Jonathan Newhouse, nosso CEO, propôs a criação de outro evento que pudesse unir todas as edições em prol de uma causa, como a Fashion's Night Out, mas sem a ligação com o comércio. Nas edições americana e italiana existiam campanhas contra os distúrbios alimentares, mais fortemente ligadas à anorexia, que eram problemas destes países, e a Anna Wintour sugeriu que a campanha de iniciativa à saúde fosse adotada por todas as publicações, que podem customizá-la de acordo com a necessidade de cada nação", contou Daniela.
Segundo a diretora de redação, na publicação da China, por exemplo, o foco será a obesidade, visto que a maioria da população tem engordado consideravelmente e há altos níveis de colesterol e triglicerídios como consequência da má alimentação. No Brasil, o foco da campanha durante pelo menos um ano será o respeito ao corpo. "A brasileira é muito corajosa, de uma forma negativa. Ela trata o corpo como um laboratório, por isso vamos falar de obesidade e anorexia, mas principalmente do uso indiscriminado de medicamentos para emagrecer. Queremos debater às claras", disse Daniela, lembrando que a campanha será permanente e deverá falar de nutrição, cuidados e respeito ao organismo, falando "de todas as porcarias e remédios que colocamos para dentro".
Daniela lembrou que a imagem de mulher ideal que temos atualmente não é responsabilidade unicamente do mundo da moda, mas também do cinema e foi construída ao longo dos anos. "Construiu-se a imagem de mulher perfeita com tamanho zero, mas queremos mostrar que a mulher de Vogue tem glamour, mas um corpo possível", explicou. Assim, a publicação passará a seguir os pilares da The Health Initiative e pretende firmar parcerias com universidades, além de se comprometer a não publicar fotos de mulheres que não são saudáveis e de modelos menores de 16 anos.
"Não podemos proibir um estilista de usar uma modelo magérrima na passarela, já que lá são sempre deusas e é assim que tem que ser, mas temos que ser factíveis e muitas vezes há uma separação. A modelo de passarela nem sempre é modelo para a capa", concluiu a diretora de redação.