Entrevista: Antoniel Lordelo, presidente da Ablac


 

Antoniel Marrachine Lordelo, 52 anos, assumiu no último dia 15, em São Paulo, a presidência da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), entidade que representa cerca de 3 mil pontos de vendas de calçados em todo o País. Diretor da Azul Calçados, com lojas em Itu/SP e outras cinco cidades próximas, além de uma operação virtual inaugurada em novembro de 2012, Antoniel está ligado à entidade desde 2003.

Desde então, ocupou diversos cargos diretivos, como a vice-presidência na gestão de Carlos Ajita (2011-2012). Nesta entrevista ao Exclusivo, ele revela os principais projetos de sua gestão, entre eles o aumento do consumo dos atuais 3,3 para 4,0 pares/ano.

Jornal Exclusivo - Quais os principais desafios da Ablac para este novo mandato?

Antoniel Lordelo - Temos diversos desafios a vencer no biênio 2013-2014.Umdos principais diz respeito à adoção de um sistema padrão de identificação de produtos e troca eletrônica de informações entre a indústria e o varejo de calçados.Ouso de códigos diferentes entre quem produz e quem compra/vende calçados causa atrasos, retrabalho e perda de tempo e dinheiro, além de fazer com que os produtos cheguem mais tarde às vitrines. Outro objetivo importante é a aprovação da mudança do artigo 101 do Código de Defesa do Consumidor, cujo projeto de lei tramita na Câmara dos Deputados.

Para o varejo, a alteração é essencial para evitar as perdas que vêm crescendo devido aos processos judiciais a que tem que responder. Eles são movidos por consumidores que têm os documentos roubados ou falsificados e utilizados para compras em crediário em lojas, geralmente localizadas distante da cidade onde residem. As lojas, por não receberem as parcelas do crediário, colocam os nomes dos clientes no SCPC e estes, ao tomarem ciência do fato, ingressam na justiça com ações de danos morais, obrigando as lojas a defender- se, muitas vezes, em outros Estados.

Outra iniciativa que pretendemos desenvolver relacionase à sustentabilidade. Exemplo é reciclagemde lâmpadas, tendo como base um projeto que vem sendo desenvolvido desde 2012 na Azul Calçados, através do qual todas as lâmpadas são encaminhadas para uma central de resíduos sólidos, tendo destinação correta.

Na Ablac, também estaremos atentos às mídias sociais, que devem ser o mote da comunicação eletrônica. Para isso, iremos desenvolver novas funcionalidades no site da entidade, dando seguimento ao que já foi feito pela administração anterior, visando aperfeiçoar o uso dessa ferramenta multicanal, essencial para consolidar a imagem institucional das lojas e gerar negócios.

Exclusivo - Como pretende aumentar o consumo médio anual do brasileiro de 3,3 para 4 pares, conforme comentou em sua posse?

Lordelo - O aumento do consumo no mercado interno passa necessariamente pela união de todos os segmentos da cadeia produtiva. Se todos derem sua parcela de contribuição, os resultados certamente serão melhores. Acreditamos ser possível elevar o consumo dos atuais 3,3 para 4,0 pares ao ano através, por exemplo, de uma ação junto ao governo federal para oferecer benefícios que incentivem o consumo de calçados por parte da população brasileira, a exemplo do que foi feito em outros setores.

A indústria e o varejo de calçados são grandes empregadores de mão de obra e, com incentivos aos seus negócios, podem abrir novas vagas rapidamente. Há outro aspecto relevante. Após um período dedicado à aquisição de automóveis e linha branca, devido aos incentivos oferecidos pelo governo federal, o consumidor precisa voltar a comprar sapatos. Este ano as vendas devem crescer 5% em termos reais no mercado nacional, elevando amédia per capita.

Exclusivo - Que benefícios a Ablac oferece aos seus associados?

Lordelo - Os benefícios vão da participação gratuita em eventos que a entidade realiza juntamente com as promotoras de feiras – como Congresso Brasileiro do Calçado e Fórum de Moda & Marketing, realizados com a Couromoda e a Francal, respectivamente -, ao acesso antecipado às duas feiras, à utilização da planilha de mark-up, que tem se constituído em uma ferramenta essencial à definição do preço de venda dos produtos nas lojas, aos benefícios decorrentes das negociações com indústrias calçadistas.

O mais importante, sem dúvida, é que, associando-se à Ablac, o lojista ajuda a fortalecer o varejo brasileiro de calçado e sua representatividade em entidades nacionais e perante órgãos de governo.

Exclusivo -Quantos associados são atualmente?

Lordelo - Nossos associados correspondem atualmente a cerca de 3 mil pontos de vendas. Eles estão localizados em todas as regiões brasileiras e levam a milhões de consumidores centenas de marcas de calçados e acessórios, daquelas que são líderes de vendas às que buscam uma maior participação no mercado.

Exclusivo - E as campanhas “Calçado Brasileiro, o Melhor Presente” e “Campanha Todos Calçados” irão continuar, serão mudadas, ampliadas, etc?

Lordelo - - Estas campanhas são permanentes e terão continuidade em nossa gestão. Elas envolvem outras entidades setoriais, veículos de comunicação e promotoras de feiras. Todos os parceiros divulgam em seus materiais, por exemplo, os selos dos segmentos (feminino, masculino, infantil e esportivo) que integram a Campanha Calçado Brasileiro, o Melhor Presente. Aos poucos, assim, vai-se incentivando o consumidor a dar calçado de presente em todas as datas promocionais, fazendo crescer o consumo per capita no Brasil.

Necessitamos, porém, que outras indústrias e lojas utilizem os seus materiais de uso diário para estampar o selo da campanha e ampliar a divulgação junto aos consumidores. Todos os materiais sugeridos podem ser utilizados livremente. Basta solicitar à Secretaria Executiva da Ablac.

Exclusivo - Sobre a antecipação das coleções, alguma novidade? O que o novo presidente pensa a respeito?

Lordelo - Após um amplo debate no Congresso Brasileiro do Calçado de 2012, indústria e varejo estão mantendo negociações para que o lançamento das coleções ocorra próximo das feiras Couromoda e Francal, cujo período de realização julgamos apropriado para a compra de produtos de inverno e verão, respectivamente.

Para o varejo, o importante é que produtos de inverno cheguem às lojas em março e abril e os de verão, em setembro ou outubro. Fora disso, há problemas e confusão. Precisamos respeitar as estações, o clima e os hábitos de compra do consumidor, que efetivamente determinam o quê, quando e quanto compramos e quando devemos iniciar as vendas.

Exclusivo -O varejista brasileiro está sabendo aproveitar as facilidades do e-commerce a seu favor?

Lordelo - - Os lojistas estão conscientes de que precisam conciliar as operações físicas com as virtuais, isto é, oferecer ao consumidor a opção de compra também pela internet. Mas este investimento depende do interesse, da disponibilidade de recursos de cada um e do potencial de mercado.

Temos poucas lojas virtuais calçadistas em operação no País devido ao desconhecimento dos dirigentes quanto ao potencial de negócios da web. Acreditamos, porém, que nos próximos anos muitas outras surgirão, complementando as atividades das unidades físicas.

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