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A ascensão dos acessórios de luxo

Das grandes Maisons de luxo às butiques intimistas, os acessórios viraram peças em evidência em tempos de crise. As famosas galerias Lafayette e Printemps criaram novos e gigantescos espaços dedicados à linha de acessórios, com campanhas e vitrines ao longo do Boulevard Hausman.



A glamourização dos acessórios estendeu-se também à luxuosa Avenida Montaigne, templo das grifes de luxo. Na mídia, a fórmula se repete: revistas de moda dedicam capa e editorial interno para colocar os acessórios em evidência. Mas como se deu este fenômeno?

Começou no início dos anos 1990 a valorização generalizada dos acessórios de marca. Antes disso, as grifes eram destinadas à elite. Modelos de luxo cumpriam quase um papel de diferenciação de classes sociais. Afinal, poucos tinham acesso a peças míticas como a tradicional bolsa em matelassê 2.55, criada por Mademoiselle Chanel em 1955, a charmosa bolsa Kelly da marca Hermès, que recebeu esse nome em homenagem à princesa Grace Kelly, bem como as artesanais Louis Vuitton, sinônimo de requinte.

Desde então, sapatos, bolsas e bijuterias saem da sua funcionalidade inicial, de auxiliar na composição do look, para uma nova função: tornar-se a “estrela” do vestuário. Do ponto de vista emocional, o sucesso dessas peças vem da paixão pela diferença, inovação e feminilidade. Para cada mulher, um acessório é como uma nova fórmula, uma nova abordagem, a diferenciação no estilo tão buscada nos dias de hoje.

Em uma época de supervalorização do luxo, em que estrelas e top models são elevadas a ícones ligadas a marcas, os acessórios agem como parâmetro de status. Todas as mulheres desejam apropriar-se desta imagem glamourosa, elegante e luxuosa. Usar a mesma peça de uma diva é também uma maneira de adentrar no seu universo, que é tentador por justamente parecer tão inacessível.

Mas a guerra do Golfo, já no 2º semestre de 1990, provoca profundas repercussões no mercado mundial. A crise na bolsa de valores faz despencar as ações, fato que repercute diretamente na procura dos produtos de luxo. O consumo cai vertiginosamente e as grandes marcas se inquietam e questionam: Como superar esta crise?

Confira amanhã, na 2ª parte desta série sobre os acessórios de luxo, como a Dior criou uma bolsa que vendeu 200 mil exemplares e gerou receita suficiente para abrir mais de 200 lojas ao redor do mundo. Tudo isso em pouco mais de um ano.

UseFashion/Paris
Colaboração: Stella Pelissari
Fotos: UseFashion

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