![]() Mauricio Medeiros (à esquerda) ensina antigas técnicas para o acabamento dos calçados |
Em parceria com o artesão italiano Amadeo Rivellini, a oficina teve o objetivo de mostrar aos participantes técnicas antigas que podem ser resgatadas para melhorar a qualidade dos produtos brasileiros. O estilista conversou com a UseFashion sobre o projeto e afirmou que essa foi a 1ª edição de muitas outras.
UseFashion – Como surgiu o projeto “Memórias do Fazer”?
Mauricio Medeiros – Surgiu numa viagem de 1 ano e meio atrás que eu fiz ao Politecnico di Milano e visitei o Museu do Calçado, que tem uma história de produção de longa data. Ali, surgiu a ideia de resgatar a memória (e daí o nome “Memórias do Fazer”), de como aprimorar o calçado, com quem melhor sabe fazer.
UF – Você pretende seguir o projeto adiante, realizando-o periodicamente?
MM – Esta é a 1ª edição. A ideia é que se repita a cada temporada, com um técnico especialista, um verdadeiro sapateiro de qualquer parte do mundo que nos traga a melhor a técnica para se fazer, ou ainda ressaltar uma prática que já se tinha para poder qualificar o calçado brasileiro.
UF – Então qual é a importância desta inciativa e no que você acredita que ela pode influenciar a produção brasileira?
MM – Ele não influencia tanto na criação, mas na execução, na maneira de fazer. O sapato italiano é melhor do que o brasileiro porque tem uma técnica diferente da nossa, não pela sua história mais desenvolvida. O Brasil tem designers com atributos suficientes para o cenário internacional, mas a técnica da Itália resulta em um sapato mais bem acabado. Não é somente pela história que o produto é melhor, mas pela maneira de fazer.
UF – Há alguma técnica que você possa usar como exemplo?
MM – Neste evento, nós focamos na confecção manual, sobretudo com o objetivo de resultar numa montagem de forro tão liso quanto o próprio cabedal. Esse é o principal objetivo da apresentação do “Memórias do Fazer”: mostrar como a técnica à mão pode deixar o acabamento mais bonito. Por exemplo, Amadeo pediu para que o forro não fosse colado no cabedal, como é feito no Brasil. Na confecção manual, não deve haver cortes no forro, que precisa ser do mesmo tamanho do cabedal.
UF – A parceria continuará sendo com Amadeo Rivellini?
MM – Não necessariamente. A ideia é que o “Memórias do Fazer” ocorra dentro do Inspiramais, sempre com uma técnica nova. Se nós pudermos trazer o professor Rivellini novamente, melhor, porque é alguém que já tem convívio conosco e tem 47 anos de experiência, ou seja, uma vida profissional inteira dedicada. Além do que, ele já trabalhou muitos anos produzindo Manolo Blahnik, e Manolo é uma referência internacional em sapatos. Mas em outro momento podemos pensar em uma técnica que talvez tenha na Índia, por exemplo. Não necessariamente precisa ser italiana.
Fotos: Divulgação e UseFashion
Juliana Wecki
