Entrevista: Alexandre Birman , da Arezzo

Em dezembro último, ele recebeu o prêmio Talento Emergente, do Footwear News Achievement Awards, considerado o Oscar da indústria calçadista. Para 2010, seus planos são alcançar saltos ainda maiores e cada vez mais altos. Alexandre Birman, criador da marca que leva seu nome, da Schutz, herdeiro da Arezzo e vice-presidente da Arezzo S/A, empresa detendora das três famosas grifes, espera crescer 35% e se consolidar de vez no mundo da moda com artigos de luxo.


Alexandre Birman


O caminho está aberto. Seus produtos já conquistaram atrizes como Kate Hudson e Demi Moore, estão à venda em lojas como a Sak’s, de Nova York, e a Printemps, em Paris. Recentemente, a grife apoiou, em Los Angeles, o The Art of Elysium’s Annual Heaven Gala. O Art of Elysium é uma organizacao não-lucrativa que reúne toda a classe artística norte-americana para o combate de doenças infantis, proporcionando aulas de teatro, artes e outras manifestações artísticas.

Em um episódio de Gossip Girl, série de tevê norte-americana, a personagem Blair, vivida pela atriz Leighton Meester, diz que seus modelos Alexandre Birman “são sagrados”. Há um tanto de verdade nessa declaração. Afinal, somente os abençoados pelo poder de compra são capazes de calçar os produtos da marca.

Lançamentos - Você recebeu um grande prêmio em dezembro nos Estados Unidos. Como foi a solenidade de premiação?
Alexandre Birman - Foi muito emocionante. Enquanto, do alto do palco, projetavam minha imagem em dois telões gigantescos, tive que discursar em inglês para uma plateia de 400 pessoas.

Lançamentos - Qual foi a ênfase do seu discurso?
Birman - Em primeiro lugar, reconheci a nobreza desse prêmio, porque ele é realmente muito importante. A Footwear News é uma revista como a Lançamentos, com penetração muito forte na indústria calçadista, além de ter um alto conceito de moda junto ao consumidor final. Então, mencionei a importância do veículo de comunicação e realmente agradeci muito ao meu pai, de quem sou grande fã. Pai igual ao meu não existe. Sou apaixonado por ele, porque me deu todas as oportunidades do mundo para chegar onde estou. Baseei toda a minha vida ao lado dele desde o momento em que entrei para o mundo do sapato. Não deixei também de agradecer à minha esposa, que também estava lá, aos compradores das grandes lojas de departamento, que acreditaram em nossa marca já no primeiro ano, e foi assim que consegui transmitir isso com muita emoção.

Lançamentos - Qual a sensação de receber um prêmio internacional, colocando seu nome junto aos maiores designers e das grandes marcas conhecidas mundialmente?
Birman - Esse prêmio é muito importante porque realmente mostra o reconhecimento de um trabalho extremamente bem feito nos Estados Unidos e vai contribuir para o meu crescimento nos demais mercados. Nunca nenhum brasileiro conseguiu essa façanha.

Lançamentos - Como aconteceu esse salto?
Birman - Para mim, é mais do que um salto. Eu comecei na empresa com 18 anos, quando criei a Schutz, que, em 2010, vai completar 15 anos, e acredito realmente que é a concretização da minha dedicação exclusiva ao nosso negócio. Atribuo esse reconhecimento tão profundo aos Estados Unidos, que têm uma contribuição quase que astrológica nessa conquista.

Lançamentos - Qual foi a sua estratégia para conquistar o mercado norte-americano?
Birman - Creio que sempre houve uma energia conspirando a favor, pois, logo no primeiro ano de existência da marca nos Estados Unidos, estivemos presentes na principal loja de departamento de Nova York e em algumas lojas multimarcas de grande prestígio. Mas o principal apelo é o custo-benefício. Temos um produto de extrema qualidade, design e muita moda com preço muito mais barato que o dos italianos.

Lançamentos - A partir de sua ascensão, quais são seus planos?
Birman - Acredito que, agora, chegou o nosso momento. Para este ano, as iniciativas incluem a primeira exposição na França e a segunda na Micam (Itália) com a marca Alexandre Birman. Outras novidades são o showroom próprio com 257 metros quadrados de área na rua 27, esquina com a 5ª Avenida, em Nova York, para atender nossos clientes com todo requinte, e a primeira loja Alexandre Birman exclusiva na rua Oscar Freire, em São Paulo/SP.

Lançamentos - Qual o valor investido no showroom de Nova York?
Birman - É um investimento muito grande, que envolve a formação de uma equipe e minha presença intensa nos Estados Unidos. Terei que fazer um bate-volta com frequência, porque tem muita coisa boa acontecendo também aqui no Brasil.

Lançamentos - Como é fazer um produto de alto valor agregado no Brasil? Tem consumo para isso?
Birman - O consumo é restrito no Brasil. Se você não tem a pretensão de ser uma marca mundial, não vale a pena, porque a fatia do mercado brasileiro disposta a pagar cerca de R$ 1.500,00 por um sapato é muito pequena. Para ter o mínimo de volume dentro dos padrões que operamos em conjunto com a Arezzo, temos que olhar o mercado mundial.

Lançamentos - A marca Alexandre Birman, a exemplo da Arezzo, pode se tornar uma franquia?
Birman - Não, de jeito nenhum. Nós fizemos uma análise e descobrimos que, no Brasil, cabem, no máximo, cinco lojas iguais, que eu quero fazer. Será uma loja realmente atemporal, com produtos de valor agregado extremamente alto e que nunca vai entrar em liquidação, porque seu público é uma consumidora muito definida.

Lançamentos - Sua empresa abriu várias lojas na China. Como está o desempenho da marca naquele mercado?
Birman - Nossos grandes canais de exportação são a Europa e os Estados Unidos. Não dá para dizer que nossas lojas na China são realmente um business efetivo. Elas foram abertas há dois anos em caráter de teste, e o plano de expansão era muito maior do que se apresenta hoje. Ainda estamos operando, mas com um desempenho abaixo do que esperávamos. Na primeira oportunidade, irei até lá para definir o futuro do negócio.

Lançamentos - Sua empresa contribuiu com a aceleração do ciclo de moda, lançando coleções com bastante antecedência. O que podemos esperar para o próximo verão?
Birman - Não posso entregar o ouro assim, ainda mais em uma entrevista de moda. Posso adiantar apenas que o verão 2010 terá um tipo de solado alto que a brasileira adora.

Lançamentos - A Schutz emplacou com o solado anabela, não foi?
Birman - Realmente, isso aconteceu quando lançamos a coleção que consagrou a marca. E, agora, com certeza, a anabela voltará com toda força.

Revista Lançamentos - Que análise você faz da Couromoda 2010 em comparação à edição passada?
Birman - Graças a Deus, nossa empresa sempre teve uma feira muito positiva. No ano passado, estávamos no olho do furacão da crise econômica, que, no Brasil, principalmente no nosso negócio, foi uma crise muito mais psicológica do que real. Nós não sofremos redução de vendas em nenhum período do ano passado. O Natal 2008 foi excepcional e o 2009, melhor ainda. Por isso, como já é tradição, teremos um crescimento de cerca de 20% em relação à feira passada.

Lançamentos - E as expectativas para 2010?
Birman - Vamos trabalhar com uma meta de crescimento de 35% em relação a 2009.

Fonte: Exclusivo On Line
Foto: Roner Rangel

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